VOTO ESTRATÉGICO
Teríamos
nessas eleições alguma justificativa para votamos em um partido político e em
seus candidatos? Para alguns a saída é voltar à administração inoperante tucana
que dentro de oito anos privatizou nossos bens, mas do que qualquer coisa;
outros estão se iludindo com uma suposta falsa alternativa, vendendo uma “nova
política” que nem eles mesmos sabem qual é; e ainda os que radicalizam a
política, dentro de um discurso coerente até, mas que precisa de um
fortalecimento mais consciente da massa para se sustentar e se tornar viável.
Nesse
emaranhado de situações, arriscamo-nos a seguinte tese: o voto estratégico. Não
queiram achar que estamos defendendo o voto no PT e na Dilma simplesmente. Passamos
agora as justificativas do por que do voto estratégico: primeiramente
acreditamos que seja necessário que o PT e o governo esgotem completamente sua
crise e que deixe de fato de representar uma política de esquerda e popular.
Quando afirmamos isso, queremos dizer, no imaginário popular, pois é verdade
que para alguns movimentos sociais, o PT já não os representa mais. Se o mesmo não se
transformou totalmente em um partido da “direita”, ao menos é preciso coloca-lo
no “centro”, pois, nitidamente cada vez mais se sustenta da estrutura sindical
burocrática e de movimentos tradicionais, e não mais da massa popular, daqueles
sem voz e sem vez.
Embora seja
tese para muitos ainda dentro do PT e do governo, a importância de se continuar
governando e fazer pressão por dentro para se realizar as reformas necessárias
e construir uma administração popular e participativa. Cremos cada vez menos
nessa possibilidade, devido às nuanças decorridas nesses anos de governo. Que
deixemos claro e distinto nossa posição: o voto estratégico não tem essa
finalidade, e sim, sua centralidade e objetivo é que o PT cumpra seu papel de
aprofundar a crise como partido de esquerda, para que possamos criar de fato
uma alternativa popular e de massa, capaz de sustentar as transformações na política
brasileira.
Imaginamos o
seguinte: que o PT volte à oposição nesse momento. Certamente voltará como “bom
moço” prenhe ainda de apoio, talvez até mesmo com o discurso de injustiçado de
que muito fez e não foi reconhecido. Ficará numa oposição de centro e daqui a quatro
ou oito anos volte nas graças da população (com Lula, quem sabe!!), mas com a
mesma política atual de governar. Por isso, afirmamos ser importante o
esgotamento total da crise. É esta a razão pela qual se justifica o voto
estratégico.
Por fim,
duas conclusões: não queremos desmerecer a política social do PT. É justamente
essa que os mantém no imaginário popular, e consequentemente impede o
surgimento de uma alternativa plausível. Por outro lado, também não
desmerecemos o esforço que alguns partidos de “esquerda” fazem para mudar o
cenário político, somente que não deveriam focar suas energias em aparecimento
de novas personalidades políticas e sim, numa alternativa popular, de massa e
participativa, que os sem voz e sem vez tenham oportunidades reais de decisões
emancipatórias, superando a inércia de apenas ficarem recebendo benefícios.
Fomentar uma mobilização capaz de sustentar as transformações no país.
Finalizamos.
O voto estratégico é apenas um ponto do iceberg sem importância, haja vista, se
não tivermos a força necessária para obrigamos o PT a continuar cumprindo seu percurso.
A crise do PT e do governo será de curto ou de longo prazo, dependendo da
correlação de forças dos movimentos sociais e partidos tidos como de esquerda,
em saber explorar as contradições e aprofundar debates importantes com a
população, construindo uma consciência popular em contrapartida ao um
imaginário afetivo.
José da Silva Oliveira – 01 de outubro de 2014.
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