sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Reflexão sobre as eleições



VOTO ESTRATÉGICO

            Teríamos nessas eleições alguma justificativa para votamos em um partido político e em seus candidatos? Para alguns a saída é voltar à administração inoperante tucana que dentro de oito anos privatizou nossos bens, mas do que qualquer coisa; outros estão se iludindo com uma suposta falsa alternativa, vendendo uma “nova política” que nem eles mesmos sabem qual é; e ainda os que radicalizam a política, dentro de um discurso coerente até, mas que precisa de um fortalecimento mais consciente da massa para se sustentar e se tornar viável.
            Nesse emaranhado de situações, arriscamo-nos a seguinte tese: o voto estratégico. Não queiram achar que estamos defendendo o voto no PT e na Dilma simplesmente. Passamos agora as justificativas do por que do voto estratégico: primeiramente acreditamos que seja necessário que o PT e o governo esgotem completamente sua crise e que deixe de fato de representar uma política de esquerda e popular. Quando afirmamos isso, queremos dizer, no imaginário popular, pois é verdade que para alguns movimentos sociais, o PT já não os  representa mais. Se o mesmo não se transformou totalmente em um partido da “direita”, ao menos é preciso coloca-lo no “centro”, pois, nitidamente cada vez mais se sustenta da estrutura sindical burocrática e de movimentos tradicionais, e não mais da massa popular, daqueles sem voz e sem vez.
            Embora seja tese para muitos ainda dentro do PT e do governo, a importância de se continuar governando e fazer pressão por dentro para se realizar as reformas necessárias e construir uma administração popular e participativa. Cremos cada vez menos nessa possibilidade, devido às nuanças decorridas nesses anos de governo. Que deixemos claro e distinto nossa posição: o voto estratégico não tem essa finalidade, e sim, sua centralidade e objetivo é que o PT cumpra seu papel de aprofundar a crise como partido de esquerda, para que possamos criar de fato uma alternativa popular e de massa, capaz de sustentar as transformações na política brasileira. 
            Imaginamos o seguinte: que o PT volte à oposição nesse momento. Certamente voltará como “bom moço” prenhe ainda de apoio, talvez até mesmo com o discurso de injustiçado de que muito fez e não foi reconhecido. Ficará numa oposição de centro e daqui a quatro ou oito anos volte nas graças da população (com Lula, quem sabe!!), mas com a mesma política atual de governar. Por isso, afirmamos ser importante o esgotamento total da crise. É esta a razão pela qual se justifica o voto estratégico.
            Por fim, duas conclusões: não queremos desmerecer a política social do PT. É justamente essa que os mantém no imaginário popular, e consequentemente impede o surgimento de uma alternativa plausível. Por outro lado, também não desmerecemos o esforço que alguns partidos de “esquerda” fazem para mudar o cenário político, somente que não deveriam focar suas energias em aparecimento de novas personalidades políticas e sim, numa alternativa popular, de massa e participativa, que os sem voz e sem vez tenham oportunidades reais de decisões emancipatórias, superando a inércia de apenas ficarem recebendo benefícios. Fomentar uma mobilização capaz de sustentar as transformações no país.
            Finalizamos. O voto estratégico é apenas um ponto do iceberg sem importância, haja vista, se não tivermos a força necessária para obrigamos o PT a continuar cumprindo seu percurso. A crise do PT e do governo será de curto ou de longo prazo, dependendo da correlação de forças dos movimentos sociais e partidos tidos como de esquerda, em saber explorar as contradições e aprofundar debates importantes com a população, construindo uma consciência popular em contrapartida ao um imaginário afetivo.




José da Silva Oliveira – 01 de outubro de 2014.  

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