sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Não vai embora



Não vai embora tão cedo,
Minha menina.
O dia parece longo,
O sol nunca se põe.
A noite curta, nem paramos,
A ver as estrelas no céu azul.
Esse sol que nos aflora,
Ainda não é hora de partir,
Fica! Fica... Um instante,
Pare o tempo, por favor.
Essas manhãs que nos acorda,
A estrada que nos chama.
Eu só queria um sono a mais,
E sonhar um sonho novo.
Poder parar o tempo...
Dividir a vida.
Não quero ter juízo,
Que o futuro venha,
Depois de amanhã.
E o jardim floresça!
Quero ser seu,
E de manhã te desejar bom dia.
E ver o sol...
E ver a lua...

Zezinho – 24 de outubro de 2014.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Encontro



É preciso inventar...
Uma invenção de encontros,
Para que te encontre.

Uma máquina,
A vapor, a água ou energia,
Seja lá como for
Mas que me conduza,
Me leve aos seus braços.

É preciso inventar...
Uma invenção de encontros
Para que te encontre.

Um simples caminho,
Com espinhos ou sem, labirinto
Mas que no fim, te encontre

Inventar...
Uma invenção de encontros
Para que nenhuma distância
Distancie-nos

Invenção...
Que pare o tempo
Para nós dois desfrutamos
O tempo perdido.

Sentir eternamente seu beijo
Nunca antes dado
Aquecer a cabeça no seu peito
Tanto e tanto desejado

Uma invenção do amor...
Que nos faça de novo
Crianças no Eder
Caminhando de mãos dadas
Na praça

Invenção de sonhos...
Que nos mantenha sempre dormindo
Aos cuidados da lua
A nos levar, de leve
Para o além-mar
Bem distante
De tudo e de todos

Uma invenção que invente...
Simplesmente nós dois.


Zezinho 22 de fevereiro de 2010.

Poesia



Ôôô que saudade do interior
Onde nasce no peito
O calor do verão
O avesso virando certo
Sentido.
Descaminho
Numa longa história
De amor
Um verso que vira
Samba
De nossas almas
Toque que alegra
Pinta o sete
Num papel em cores
Tamborim que se levanta
Levemente os pés
Na dança
O Brasil que de tão grande
Se apequena
Debaixo da mangueira
Sobre o tik tak
Das crianças
Tocando seus instrumentos
Ôôô que vida
Cheia de lembranças
Que de quando em tanto
Acaba se encontrando
No botequim





Zezinho – 12 de agosto de 2010.

Reflexão sobre as eleições



VOTO ESTRATÉGICO

            Teríamos nessas eleições alguma justificativa para votamos em um partido político e em seus candidatos? Para alguns a saída é voltar à administração inoperante tucana que dentro de oito anos privatizou nossos bens, mas do que qualquer coisa; outros estão se iludindo com uma suposta falsa alternativa, vendendo uma “nova política” que nem eles mesmos sabem qual é; e ainda os que radicalizam a política, dentro de um discurso coerente até, mas que precisa de um fortalecimento mais consciente da massa para se sustentar e se tornar viável.
            Nesse emaranhado de situações, arriscamo-nos a seguinte tese: o voto estratégico. Não queiram achar que estamos defendendo o voto no PT e na Dilma simplesmente. Passamos agora as justificativas do por que do voto estratégico: primeiramente acreditamos que seja necessário que o PT e o governo esgotem completamente sua crise e que deixe de fato de representar uma política de esquerda e popular. Quando afirmamos isso, queremos dizer, no imaginário popular, pois é verdade que para alguns movimentos sociais, o PT já não os  representa mais. Se o mesmo não se transformou totalmente em um partido da “direita”, ao menos é preciso coloca-lo no “centro”, pois, nitidamente cada vez mais se sustenta da estrutura sindical burocrática e de movimentos tradicionais, e não mais da massa popular, daqueles sem voz e sem vez.
            Embora seja tese para muitos ainda dentro do PT e do governo, a importância de se continuar governando e fazer pressão por dentro para se realizar as reformas necessárias e construir uma administração popular e participativa. Cremos cada vez menos nessa possibilidade, devido às nuanças decorridas nesses anos de governo. Que deixemos claro e distinto nossa posição: o voto estratégico não tem essa finalidade, e sim, sua centralidade e objetivo é que o PT cumpra seu papel de aprofundar a crise como partido de esquerda, para que possamos criar de fato uma alternativa popular e de massa, capaz de sustentar as transformações na política brasileira. 
            Imaginamos o seguinte: que o PT volte à oposição nesse momento. Certamente voltará como “bom moço” prenhe ainda de apoio, talvez até mesmo com o discurso de injustiçado de que muito fez e não foi reconhecido. Ficará numa oposição de centro e daqui a quatro ou oito anos volte nas graças da população (com Lula, quem sabe!!), mas com a mesma política atual de governar. Por isso, afirmamos ser importante o esgotamento total da crise. É esta a razão pela qual se justifica o voto estratégico.
            Por fim, duas conclusões: não queremos desmerecer a política social do PT. É justamente essa que os mantém no imaginário popular, e consequentemente impede o surgimento de uma alternativa plausível. Por outro lado, também não desmerecemos o esforço que alguns partidos de “esquerda” fazem para mudar o cenário político, somente que não deveriam focar suas energias em aparecimento de novas personalidades políticas e sim, numa alternativa popular, de massa e participativa, que os sem voz e sem vez tenham oportunidades reais de decisões emancipatórias, superando a inércia de apenas ficarem recebendo benefícios. Fomentar uma mobilização capaz de sustentar as transformações no país.
            Finalizamos. O voto estratégico é apenas um ponto do iceberg sem importância, haja vista, se não tivermos a força necessária para obrigamos o PT a continuar cumprindo seu percurso. A crise do PT e do governo será de curto ou de longo prazo, dependendo da correlação de forças dos movimentos sociais e partidos tidos como de esquerda, em saber explorar as contradições e aprofundar debates importantes com a população, construindo uma consciência popular em contrapartida ao um imaginário afetivo.




José da Silva Oliveira – 01 de outubro de 2014.